terça-feira, 10 de março de 2009

8 de Março - Um Novo Mercosul é Possível




Dentro das atividades do Dia Internacional da Mulher – 8 de Março – realizadas em Santana do Livramento – Um Novo Mercosul é Possível – O SEMAPI Sindicato realizou um conjunto de ações. Dentre elas, a oficina Hábito de Consumo como fator de Soberania Alimentar, coordenada pelo Coletivo Desenvolvimento Sustentável, em uma ação articulada com a Marcha Mundial de Mulheres do RS.

Abriu a Oficina, Joana Stédile, representante da Marcha. Esta destacou a importância desse debate e lembrou o papel que as mulheres, em particular as mulheres do campo, têm cumprido para a biodiversidade, preservando sementes e praticando uma agricultura limpa. Referiu-se a falácia da revolução verde que veio para resolver o problema da fome e ainda hoje milhões de pessoas vivem em extrema pobreza, sem acesso a uma alimentação saudável. Destacou que a revolução verde fortaleceu a monocultura, a expulsão de homens e mulheres do campo e desenvolveu-se à custa da degradação ambiental pelo uso intensivo e indiscriminado de agrotóxicos. Falou também do status de mercadoria assumido pelos alimentos no modelo de desenvolvimento atual, quando, em verdade, deveriam ser tratados como um direito da população.

Na seqüência, a Oficina, a partir da explanação da coordenadora do Coletivo Desenvolvimento Sustentável do SEMAPI, Iara Aragonez, foi destinada à compreensão do conceito de Soberania Alimentar no contraponto com o conceito de Segurança Alimentar. Logo após, foram trazidos elementos que evidenciaram o quanto hábitos alimentares e práticas cotidianas de consumo podem influenciar para a soberania alimentar de um povo. A partir dessa abordagem foi destacado que há uma possibilidade enorme de ações que contribuam para a construção de uma sociedade mais justa, as quais independem da macro-política e da macro-economia, pois são possíveis de serem implementadas a partir das relações estabelecidas diariamente para a reprodução da nossa existência. Ficou destacado que criar outro modelo de consumo é possível quando temos a consciência da perversidade do modelo hegemônico e nos mobilizamos coletivamente para essa transformação.

O segundo momento propiciou a contribuição direta dos participantes da Oficina, os quais, apoiados em textos de autores, como Frei Beto, Iara Aragonez, João Pedro Stédile e Leonardo Boff, posicionaram-se sobre o tema. Do conjunto das reflexões apresentadas na plenária que encerrou a Oficina destaca-se que foram apontadas ações e estratégias necessárias e possíveis de serem implementadas pela militância.

Capilarizar esse debate, envolvendo escolas, associações, sindicatos e outras instituições formadoras de opinião, criando grupos locais de discussão na perspectiva da ampliação de consciências sobre o significado do consumo e sobre hábitos alimentares e provocar a organização de redes de consumo consciente, foram algumas das ações consideradas importantes para aqueles que lutam por uma sociedade mais justa e por uma nação livre e soberana.

Além disto, foi destacado como fundamental não perder de vista a luta pela ampliação da Política de Reforma Agrária, pelo fomento da Agricultura Familiar, do Cooperativismo/Economia Solidária e pela ampliação da renda da população.

O acordo final da Oficina foi de que a mesma deveria ser entendida como o início de um longo processo. A Marcha Mundial das Mulheres e o Sindicato SEMAPI, dando continuidade a parceria inaugurada no “Encontro Nacional Mulheres em Luta por Soberania Alimentar e Energética”, realizado em Belo Horizonte, em agosto de 2008, cumprirão o papel de acolher demandas e também de serem propositivos em relação a oficinas descentralizadas.

O propósito é continuar contribuindo na provocação do debate e mobilizando para ações transformadoras capazes de impulsionar o consumo consciente, contribuindo assim para o fortalecimento de uma produção sustentável, levada a termo pela agricultura familiar de base ecológica e pela economia solidária de nosso Estado.

A Oficina em Santana do Livramento contou com aproximadamente 60 pessoas e foi exitosa do ponto de vista dos objetivos a que se propôs. Assim que a sistematização dos trabalhos em grupo estiver concluída a estaremos publicando nesse blog, juntamente com as imagens produzidas durante as atividades.

...o conteúdo do conversar numa comunidade não é inócuo para essa comunidade, porque arrasta consigo seus afazeres... (Humberto Maturana)

2 comentários:

Lauro Bernardi disse...

Mesmo ausente, fico muito orgulhoso de ver o planejamento do Coletivo de Desenvolvimento Sustentável do Semapi sendo efetivado na prtática. Na prática social, com o povo, levando bandeira arejada, debate sério, de forma qualificada, "contribuitivo" nos espaços sociais. 10 Iara! Sirvam vossas façanhas...

Claudia Prates disse...

Parabéns Iara e toda a equipe. Esta parceria com a Marcha mundial das Mulheres fica cada vez mais fortalecida e nós aprendemos cada vez mais contgo. bjus e sucesso
Claudia